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Os pensamentos de uma poeta

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Sobre primaveras e flores

Em tempos onde o sentido da paz tem se turvado pelo desejo de libertação a todo custo dos governos tirânicos fundamentados na intolerância, no preconceito, no radicalismo e na força bruta de seus líderes eu já não sei mais o que é certo ou errado, o que é justo ou injusto, o que é digno ou indigno, o que é ético ou não.

Em tempos onde a violência tem sido a mais eficiente arma, quando não a única, para uma provável restauração da democracia eu temo ter desaprendido a diferença entre o que tem legitimidade e o que não tem.

Em tempos onde homens do povo matam impiedosamente ditadores fazendo uso dos mesmos meios cruéis que  combatem desesperadamente eu não sei mais se reconheço o que é coragem e o que não é.

Em tempos onde pessoas celebram a morte de outras, por mais desprezíveis que sejam, eu já não sei mais o que é humanidade, muito menos o que é desumano.

Em tempos onde conflitos armados são chamados de primavera eu tenho muito medo de um dia acabar descobrindo o que são as flores.

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Texto postado originalmente em http://monicacompoesiapoeta.blogspot.com

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Traço

Em cada rota imaginada traço palavras. Escrita desenhada despida e não mais silenciada. Obra imprecisa tecida com saliva em pelo chão da estrada que nada mais é do que a vida de um poeta simplesmente madrugada no seio vazio e ardente do frio da alma. Poesia encantada, seduzida e amada pela força das letras tatuadas na pele antes imaculada do branco e sagrado papel que não diz só mais nada. Com vinho doce de fel manchamos folhas ao deflora-las. Ato de mãos dilaceradas. Agonia e amor em arte materializada. Nosso todo em muitas partes. Como retratá-las?

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Escrevo

Não deixo de viver porque escrevo. Estou viva e escrever é uma necessidade maldita. Sou verdadeiramente carne, osso, coração e letras que buscam lutando se harmonizar de forma contraditória e imperfeita. Só no texto abrando minha inconsciência. Verbo é conseqüência. Está claro que na maioria das vezes não falo sobre o que exatamente no momento estou sentindo, afinal escrever não é a arte do imediatismo, literatura não é jornalismo. Criamos sempre entre inferno e paraíso sem jamais conseguir definir minimamente a geografia do nosso mais confesso e particular precipício. Temos um indeterminado compromisso de não ter nenhum com o ato de traduzir integralmente o que quase foi dito. Distorções são essenciais aos criativos. Contorcemos e distorcemos o pensamento, guardamos o que sobrou como se fossem fagulhas de vento nos arquivos que em silêncio publicamente nos desconhecemos e depois redigimos. Ao agir assim revelamos codificadamente cada um de nossos desejos mais cítricos como se neles não existíssemos. Descobrimos finalmente depois de tão violenta e interna disputa que escrever é uma arte falsamente absurda de ler gente com paixão e sacrifício. Quem somos? Leitores ou livros?

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Versos visceralizados

Meus rastros de lágrimas e sangue aleatoriamente espalhados entre versos mutantes literariamente errantes me espelham simplesmente no lugar onde insones rondam com fome ferozes abutres de lodo a imagem e semelhança dos Homens que se intitulam animais superiores inquisidores dos seus quase semelhantes. Trajetória bendita que marco exclusivamente com a imaginação em carne viva religiosamente escrita que ficcionalmente me consome traço a traço enquanto me fortaleço no seio do meu texto retalhado pelo movimento reflexo em papel cortante manifestado descuidado através da expressão maldita do pensamento externalizado que se grita em silencio entre distantes e aproximados. Meu corpo são, incompatível com a razão, nu e indeterminado, resiste a fuga sem medo da previsibilidade dos fatos se revelando alma proibida em tema não cicatrizado na pele historicamente mal lida dos ocidentes falsamente orientalizados personificados por sobreviventes a escrita que se retratam avessos pelos olhos distorcidos milimetricamente em verbo lente captados no momento imprecisamente exato em que se enxergam civilizadamente deformados em preto e branco formalizado pelos seus limites fotograficamente torturados. Em todo coração na ansiedade mergulhado tentada transgressão do redigido não consumado é ato involuntário vomitado pelo cheiro do desejo em meio a um deserto imperfeito continental literário cruelmente inexpressivo e imaculado usado como instrumento pela calmaria do sentimento narcísico superficialmente autoritário para sem motivo aparente deixar aprisionado o reagente poeticamente apaixonado com a justificativa indecente de ter ele inocente frutificado o justo pecado da incompreensão do rebelde em lama batismal purificado. Meu escrever propositalmente crucificado é prova discutível e incontestável do martírio voluntário a que me submeto em defesa confessa dos meus versos visceralizados.

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Entre linhas

É da parte mais rebelde da humanidade que se entrega confessa a eterna busca da satisfação estética de suas necessidades que surgem devoradoras e poéticas todas as múltiplas faces distorcidas da arte. Cabe sempre ao poeta o todo da sua mais incompleta metade. Escrever incondicionalmente os traços nus com simplicidade das mais variadas e difusas imagens pela pura necessidade de transparência infinita da sua própria e preservada identidade. Tecemos nas entrelinhas tudo aquilo que os olhos pelas mãos invadem sob a ótica contaminada da emoção perdida entre suas públicas e espelhadas verdades. Não existe uma razão única que absolutamente defina universalmente a realidade. Sem a convivência harmônica com a imaginação e a vontade perdemos enlouquecidamente o sagrado direito a normalidade. Personificamos voluntariamente o corpo da mais insólita poesia com infantil ousadia e anciã coragem. Demonstramos que criatura e criador só sobrevivem através da cúmplice antropofagia de idéias que simultaneamente os invade. Transgredimos com inovação até mesmo as barreiras invisíveis da liberdade. Nossos limites se aconchegam indefinidamente na nudez ardente do seio fértil das mais impensadas e gélidas impossibilidades. Ansiamos contraditoriamente que a agonia dos versos desesperadamente entre os dedos nunca se acabe. O pesadelo da página em branco diariamente com violência impiedosamente nos invade. Não desejamos uma vida covarde nem tampouco que o rigor da norma autoritária nos torture friamente e mate. O que nos desperta apenas é a necessidade. 

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Fluentes emoções

Doem as minhas vulneráveis mãos sempre que derramo entre dedos sem medo ou restrições as minhas tórridas e fluentes emoções. Queimo ao escrever dolorosamente a pele que se entrega desesperadamente as mais urgentes e literárias sensações. Sinto a carne quase que inconsciente tremer cheia de desejos e paixões diante dos poéticos frutos decorrentes das versáveis e improváveis ilusões. Apaixonadamente me deixo ao sabor agridoce e quente do que penso entre múltiplas e imperfeitas contradições. Não me limito ao que foi superficialmente definido para impedir as mais diversas e livres manifestações. Meu processo é nu de recriações. Sou simultaneamente céu, inferno e chão diversos de provocações. Trago em mim e compartilho sem aceitar crucificações toda nudez da escrita sem norma, pureza ou condições. Amo a estética maldita repleta de transgressões. Vivo completamente desprovida de métrica e limitações. A não prisão da forma é meu prazer, minha quase realização. Para chegar ao todo preciso do gozo indecente da libertação pela língua que ousa lamber a palavra diante da repressora e covarde normatização que tenta inutilmente calar a letra verbalizada com mediocridade e falta de informação. Sou publicamente contrária a todos que se refugiam em falácias para criticar o unir versos da inovação. Admiro incondicionalmente a globalização como forma artisticamente democrática e irrefreável de expressão. Me alicerço humildemente em intensa e constante transformação. Desprezo a crítica como instrumento utilizado para falsamente ratificar aquilo que é considerado correto, perfeito ou repleto de razão. Nenhuma arte deve sofrer censura ou castração. A natureza do ser humano é baseada fundamentalmente na contestação. Não existe literatura autoritária nem arte que não seja marginal por opção.

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Coração de poeta

Coração de poeta não bate impunemente, sente na carne a dor dos sentimentos urgentes que escorrem pelos dedos em um apelo mudo, inconsciente. Coração de poeta nasce livremente, mas depois através do amor vai se prendendo apaixonadamente pela vida que o arranha docemente. Coração de poeta não chora secretamente, ele oceana seus sonhos publicamente. Coração de poeta existe simplesmente, apesar de alguns acharem que ele é apenas um desenho no papel a sua frente. Um coração de poeta pode ser apenas um coração, mas ele guarda no peito entre segredos todo seu amor. Pela Poesia. 

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Sempre me pedem para falar sobre o doce ofício de escrever. Resolvi atender criando este espaço. A casa está aberta. Podem chegar. Meu coração está aqui esperando por vocês. :])

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